Meu pai sempre me trazia algum presente quando ia viajar, por menor que fosse, mesmo que fosse apenas uma pequena lembrança, nunca deixou em branco nenhuma viajem que ele fazia, das que duravam pouco mais de um dia, até as que duravam uma semana. Acredito que pra ele era uma forma de dizer que estava pensando em mim mesmo que estivesse longe de casa por causa de trabalho e de jogos. E sempre conseguiu. E passou essa forma de pensar pra mim também. Nunca senti meu pai distante de mim por mais ocupado que ele estivesse. Ele sempre largava o que fosse preciso por mim, pra me proteger, pra me levar ao médico, pra me fazer um favor da escola... Alguns anos atrás ele foi viajar e não trouxe nada... Eu fiquei chateada na hora, ainda era criança e estava acostumada a ganhar nem que fosse um chaveiro qualquer. Foi aí que meu pai me disse que o melhor presente que você pode receber de alguém é a presença dessa pessoa na sua vida, é um abraço apertado, um beijo carinhoso e palavras sinceras... e que um dia eu iria entender isso. Na época eu não compreendi de fato o que ele queria me dizer, porém não fiquei mais chateada e naquele dia meu pai deixou de ir trabalhar pra passar o dia comigo. Eu amei. Sempre fui super apegada a ele e qualquer momento junto dele era ótimo. Mas hoje eu compreendo as palavras e a atitude do meu pai. Hoje eu pude entender de fato o que ele quis me dizer porque eu vivi o que ele me disse. Pude entender que o melhor presente que ele me deu durante toda vida foi cada segundo ao lado dele, e que os objetos, as lembranças que ele sempre me trouxe nada mais é do que lembranças. O verdadeiro presente sempre foi ver ele voltando pela mesma porta que havia saído para viajar. Com saúde, feliz por ter voltado ao seu lar. O melhor presente que ele já me deu foram os abraços, os beijos, os conselhos, as conversas, os valores que ele passou pra mim. Hoje eu entendi o que ele quis dizer com aquela frase. Pude compreender que nem toda a riqueza desse mundo, junto com todo o sucesso do universo, podem comprar a felicidade que é receber um abraço, uma visita surpresa, um beijo, um eu te amo com a total sinceridade, de quem a gente ama.
Não tem presente, não tem dinheiro, não tem riqueza, não tem sucesso, não tem NADA nesse mundo que chegue aos pés disso. NADA.
E agradeço ao meu pai por ter me ensinado isso, se hoje eu estou feliz, realizada, devo muito a ele.


Marisa Aziliero.
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